Em 2019, quando o mercado brasileiro começava a olhar com mais atenção para proteínas alternativas e alimentos plant-based, a Wessel decidiu investigar um território que parecia estar no extremo oposto de sua própria história. A família Wessel trabalha com carnes há cinco gerações, em uma trajetória que remonta a 1830, na Hungria, e que ganhou um novo capítulo no Brasil quando László Wessel abriu o primeiro açougue da família em São Paulo, em 1958. Seu filho, István Wessel, tornou-se uma das figuras mais reconhecidas do segmento de carnes no país, enquanto a geração seguinte, com Daniel Wessel, participou da expansão e modernização do negócio. Essa história sempre esteve associada não apenas à carne, mas à capacidade de antecipar mudanças de comportamento, formatos de consumo e novas maneiras de apresentar o produto. Foi dentro dessa cultura de experimentação que nasceu a MetaFoods, uma nova marca criada pela Wessel para investigar o crescente universo dos alimentos de origem vegetal. Para Sandro Bianco e a SB\Design, o desafio era especialmente interessante: criar uma marca plant-based originada justamente de uma empresa cuja autoridade havia sido construída durante décadas em torno da carne. A resposta não poderia simplesmente reproduzir os códigos visuais já consolidados pelas marcas vegetarianas. Era necessário construir uma identidade com personalidade própria, capaz de falar sobre uma transformação mais ampla na relação das pessoas com proteína, alimentação, prazer e escolha.
A estratégia da MetaFoods foi desenvolvida em parceria com a 55_Brands, enquanto Sandro Bianco e a SB\Design ficaram responsáveis pela construção da identidade visual, sistema de marca, direção de arte e conceito da primeira linha de embalagens. A ideia central foi sintetizada pela expressão Plant-Based Life. MetaFoods não deveria comunicar renúncia ou construir sua narrativa exclusivamente sobre deixar de consumir carne. A marca deveria representar a ampliação de possibilidades dentro da alimentação. Essa diferença orientou todo o sistema visual. MetaFoods funcionava como marca principal e MetaBurger como sua primeira expressão de produto, estabelecendo uma arquitetura preparada para futuras extensões de portfólio. O símbolo criado a partir do "M" funciona simultaneamente como assinatura, monograma e elemento proprietário, podendo aparecer isoladamente como MF. O verde escuro institucional estabelece uma conexão com o universo vegetal sem assumir a aparência genérica frequentemente associada à categoria, enquanto o laranja do MetaBurger introduz energia, appetite appeal e reconhecimento. Para Sandro Bianco, a intenção não era simplesmente desenhar um logotipo ou uma embalagem, mas criar uma gramática visual capaz de sustentar uma nova marca de alimentos e acompanhar seu crescimento.
Um dos elementos mais característicos da linguagem criada pela SB\Design aparece na direção de arte. Vegetais, folhas, raízes, tomates, couves, brócolis e outros ingredientes são combinados para construir visualmente diferentes animais. A imagem cria deliberadamente um paradoxo: aquilo que tradicionalmente representa a origem da carne passa a ser formado exatamente pelos ingredientes destinados a substituí-la. O animal permanece presente no imaginário do consumidor, mas sua matéria foi completamente transformada. A ideia permite inúmeras composições e estabelece um território visual proprietário para campanhas, comunicação, produtos e futuras extensões da marca. Na embalagem do MetaBurger, a SB\Design trabalhou com uma solução ainda mais direta. A tipografia assume escala dominante, a imagem vegetal interfere nas letras e uma janela lateral revela fisicamente o hambúrguer. Marca, categoria e produto são compreendidos praticamente ao mesmo tempo. A assinatura Plant-Based Life amplia novamente a narrativa, posicionando MetaFoods não apenas como um hambúrguer vegetal, mas como uma possível plataforma para uma nova geração de alimentos.
MetaFoods representa também uma característica recorrente no trabalho de Sandro Bianco e da SB\Design: utilizar o design para transformar uma estratégia de negócio em um sistema visual preparado para crescer. O projeto colocou em uma mesma discussão a experiência histórica da Wessel, a estratégia desenvolvida com a 55_Brands e a direção criativa de Sandro Bianco, investigando como uma empresa profundamente ligada à cultura da carne poderia participar de uma transformação que começava a ganhar relevância na indústria global de alimentos. O projeto acabou sendo interrompido pelo cliente antes de seu lançamento comercial e não chegou ao mercado, permanecendo como um projeto conceitual. Ainda assim, MetaFoods registra um momento relevante de investigação e inovação dentro da Wessel e do portfólio da SB\Design: uma tentativa de repensar proteína, produto, embalagem e marca sem abandonar um elemento essencial da experiência alimentar, o prazer de comer.