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Como criamos livros e revistas

Criar um livro ou uma revista, para a SB\Design, é trabalhar em uma das formas mais completas do design. Mesmo em um mundo cada vez mais digital, o craft continua absolutamente presente. Um livro é um objeto físico, cultural e gráfico que exige tempo, organização, conhecimento técnico, sensibilidade e precisão. Ele é construído em camadas: conteúdo, edição, ritmo, tipografia, imagem, papel, cor, impressão, acabamento e encadernação. Quando tudo funciona, o leitor simplesmente abre, percorre e entende. Mas por trás dessa aparente simplicidade existe uma enorme quantidade de decisões que precisam ser tomadas com método, repertório e controle.

Na SB\Design, o trabalho editorial começa muito antes do layout. Começa pelo entendimento do conteúdo, de sua natureza, de seu volume, de seu público, de seu propósito e da forma como ele deve ser experimentado. Um livro de arte, um catálogo, uma revista, uma publicação institucional, um livro de arquitetura, fotografia ou moda exigem soluções completamente diferentes. Por isso, uma das primeiras etapas é organizar profundamente tudo o que existe: textos, capítulos, entrevistas, legendas, créditos, imagens, referências, notas, índices, cronologias, documentos e materiais complementares. Quanto maior o projeto, mais importante essa arquitetura se torna. A SB\Design está preparada para desenvolver desde publicações mais curtas até livros de grande escala, com 500, 800 ou até 1.000 páginas, quando necessário. Nesse nível, editorial deixa de ser apenas uma sequência de páginas bem desenhadas e passa a funcionar como um sistema complexo de informação que precisa manter coerência, hierarquia e ritmo do começo ao fim.

Uma publicação extensa exige planejamento rigoroso. É preciso construir uma arquitetura capaz de organizar capítulos, seções, aberturas, textos longos, textos curtos, imagens, legendas, notas e diferentes ritmos sem perder unidade. O design precisa criar consistência sem gerar monotonia. Um sistema excessivamente rígido pode tornar centenas de páginas previsíveis; um sistema sem regras pode transformar a publicação em uma sequência de soluções desconectadas. O desafio está em construir uma estrutura sólida o suficiente para organizar o conteúdo e flexível o suficiente para permitir momentos de pausa, intensidade, surpresa e mudança de ritmo. Por isso, o grid é uma das principais ferramentas do processo editorial. Ele funciona como uma infraestrutura invisível, capaz de organizar centenas ou milhares de decisões, mas sem aprisionar o projeto. Algumas páginas precisam respirar, outras precisam concentrar informação, uma fotografia pode exigir página inteira, uma sequência pode atravessar diversas páginas e uma abertura de capítulo pode funcionar quase como uma pausa na narrativa.

Também pensamos o livro sempre como sequência e não apenas como páginas isoladas. Livros são lidos em páginas duplas, em viradas, em relações entre aquilo que veio antes e aquilo que aparece depois. Existe ritmo, expectativa, pausa e aceleração. Em um livro de fotografia ou arte, por exemplo, a edição das imagens pode construir uma narrativa tão importante quanto o próprio texto. Uma imagem pode preparar a próxima, duas imagens lado a lado podem criar uma terceira leitura e uma página em branco pode ter tanta importância quanto uma página completamente ocupada. Por isso, quando falamos em design editorial, também estamos falando em edição. Editar é selecionar, organizar, aproximar, afastar, excluir, repetir e construir relações. Um livro não se torna melhor apenas porque tem mais conteúdo. Ele se torna melhor quando existe clareza sobre o papel de cada conteúdo e sobre a ordem em que ele deve aparecer.

A tipografia é outra matéria-prima fundamental. Escolher uma fonte para um projeto editorial não é apenas escolher uma aparência. É pensar em leitura, escala, peso, entrelinha, comprimento de linha, contraste, hierarquia, idiomas, caracteres especiais e comportamento ao longo de centenas de páginas. Uma tipografia pode funcionar perfeitamente em um título e ser desconfortável em cinquenta páginas de texto. Outra pode ser excelente para leitura longa, mas não possuir força suficiente para uma abertura. Por isso, construímos sistemas tipográficos com funções bem definidas. Títulos, subtítulos, intertítulos, corpo de texto, citações, notas, legendas, créditos, fólios, índices e demais níveis de informação precisam se relacionar com clareza. Quando esse sistema funciona, o leitor quase não percebe sua existência. Ele simplesmente entende. Esse é um dos grandes paradoxos do bom design editorial: quanto maior o trabalho de organização, mais natural a experiência parece.

A imagem também exige enorme atenção. Trabalhar com fotografia, arte, arquitetura ou moda significa entender escala, enquadramento, reprodução e sequência. Nem todas as imagens precisam ter o mesmo tamanho, nem todas possuem a mesma importância, e o design precisa revelar essas diferenças. Também precisamos avaliar a qualidade dos arquivos, resolução, recorte, tratamento, contraste, nitidez e possibilidade de ampliação. Uma imagem que funciona perfeitamente em uma tela pode não ter qualidade suficiente para ocupar uma página dupla impressa. Por isso, o tratamento e a preparação dos arquivos fazem parte do processo. O mesmo vale para a cor. No digital, vemos luz; no impresso, vemos tinta sobre uma superfície. A mesma imagem pode se comportar de maneira completamente diferente dependendo do papel, da técnica de impressão, do perfil de cor e da quantidade de tinta. Um papel revestido pode produzir uma reprodução completamente diferente de um papel natural, assim como uma fotografia com sombras muito profundas pode perder detalhes quando impressa.

É por isso que, para a SB\Design, o trabalho editorial não termina quando o arquivo é enviado para a gráfica. Quando o projeto exige, acompanhamos provas, testes e ajustes já no processo produtivo. Avaliar uma prova física é muito diferente de avaliar uma tela. É necessário observar densidade, contraste, neutralidade, pele, preto, saturação, detalhes nas sombras e altas luzes. Muitas decisões importantes acontecem nessa etapa e, em determinados projetos, é necessário ajustar imagens individualmente, rever curvas, densidade ou contraste para que o resultado impresso se aproxime daquilo que foi projetado. Em trabalhos de maior complexidade, acompanhar a impressão pode ser fundamental. Existe uma dimensão artesanal dentro de um processo industrial, e essa relação entre precisão técnica e sensibilidade gráfica faz parte do que entendemos como craft.

O papel também é parte do design. Não é apenas o suporte onde o conteúdo será impresso. Gramatura, textura, opacidade, tonalidade, rigidez, transparência e comportamento com a tinta interferem diretamente na experiência. Um mesmo layout pode parecer completamente diferente quando impresso em dois papéis distintos. Em alguns projetos, faz sentido trabalhar com mais de um papel dentro da mesma publicação, utilizando mudanças de textura, cor ou peso para separar seções, criar ritmo ou estabelecer diferentes momentos de leitura. Material também comunica. A escolha do papel pode transmitir precisão, sofisticação, naturalidade, tradição, experimentalismo ou simplicidade antes mesmo que o leitor processe conscientemente o conteúdo.

A encadernação é outra etapa que precisa ser pensada desde cedo. Capa dura, capa flexível, costura, lombada aparente, encadernação suíça, diferentes tipos de cola, tecidos, papéis especiais, sobrecapas, caixas e outras possibilidades interferem diretamente na maneira como o livro abre, em sua resistência, em seu peso e em sua experiência de leitura. Em livros grandes e pesados, essas decisões se tornam ainda mais importantes. Uma publicação com centenas de páginas exige que papel, formato, lombada, costura, cola e capa trabalhem de forma integrada. Se essas definições forem deixadas para o final, o próprio peso do livro pode gerar problemas estruturais ou tornar a experiência desconfortável. Nesse sentido, design editorial também é engenharia.

Os acabamentos acrescentam outra camada de possibilidades. Hot stamping, baixo e alto relevo, vernizes, serigrafia, tecidos, bordas pintadas, cortes especiais, transparências, inserts e diferentes técnicas podem transformar profundamente a experiência do objeto. Mas para a SB\Design, acabamento não deve existir apenas para demonstrar luxo ou sofisticação. Ele precisa fazer parte do conceito. Existem livros extraordinários produzidos com poucos recursos e outros que justificam uma construção extremamente sofisticada. A decisão depende do conteúdo, do público, da tiragem, do orçamento e da experiência desejada. Um grande livro não deveria ser apenas um recipiente para informação. O próprio objeto pode interpretar o conteúdo. Em um livro de arquitetura, o formato pode dialogar com proporção e espaço. Em fotografia, pode privilegiar a escala das imagens. Em moda, materiais e ritmo podem construir uma experiência tátil. Em um projeto artístico, a própria estrutura pode se tornar parte da obra.

A criação editorial também exige integração entre muitas pessoas e disciplinas. Editor, designer, autor, fotógrafo, artista, curador, redator, revisor e produção gráfica precisam trabalhar de forma coordenada. Publicações complexas podem envolver centenas de legendas, créditos, nomes, datas, medidas, obras, referências e versões. Em um livro de 1.000 páginas, pequenos detalhes se tornam um universo. Por isso, organização de arquivos, nomenclaturas, planilhas, listas de imagens, versões e sistemas de controle fazem parte do design tanto quanto grid e tipografia. A beleza de uma publicação complexa depende diretamente dessa disciplina invisível.

A revisão é outro momento crítico. Não apenas a revisão de texto, mas a revisão de design. Páginas precisam ser revisitadas continuamente. Quebras ruins aparecem, legendas mudam, imagens são substituídas, capítulos aumentam, outros diminuem, o índice se altera e a paginação precisa ser atualizada. Uma pequena mudança pode produzir consequências muitas páginas adiante. É por isso que o trabalho editorial exige método, paciência e atenção quase obsessiva. Depois vêm provas físicas, bonecos e protótipos. Um livro precisa ser segurado para que possamos avaliar de verdade sua proporção, peso, espessura, abertura, margens, escala tipográfica e ritmo. Algo que parece grande na tela pode parecer pequeno no papel; uma margem que parecia generosa pode desaparecer depois da encadernação; uma fotografia pode ganhar outra presença quando passa a ocupar fisicamente uma página. O objeto ensina.

Essa talvez seja uma das maiores diferenças entre editorial e grande parte do design digital. No digital, podemos atualizar continuamente. Um livro, depois de impresso, permanece. Mil exemplares com um erro continuam contendo aquele erro. Essa irreversibilidade cria uma responsabilidade particular. Antes de enviar um arquivo para produção, é necessário conferir página por página, imagem por imagem, legenda por legenda, crédito por crédito e detalhe por detalhe. E mesmo depois disso, o trabalho ainda continua na gráfica.

Quando vemos um grande livro pronto sobre uma mesa, raramente imaginamos tudo o que precisou acontecer para que ele existisse. Vemos uma capa, viramos algumas páginas e observamos algumas imagens, mas por trás daquele objeto podem existir meses ou anos de pesquisa, edição, fotografia, redação, revisão, design, tratamento de imagem, escolha de materiais, provas, impressão, encadernação, controle de qualidade e logística. Um livro é uma obra coletiva extremamente complexa disfarçada de objeto simples. Talvez seja exatamente por isso que continuamos gostando tanto de fazê-los.

Mesmo em um mundo digital, existe uma experiência que a tela não substitui completamente. Existe peso, textura, cheiro, som, escala e a sensação física de virar uma página. Existe a possibilidade de perceber uma publicação inteira como objeto. Para a SB\Design, digital e impresso não competem necessariamente. São experiências diferentes e complementares. Um livro pode coexistir com website, filme, arquivo digital, exposição, conteúdo social ou plataforma online, mas possui algo particular: permanência. Quando bem produzido, pode atravessar décadas.

Essa permanência também aumenta nossa responsabilidade sobre materiais e produção. Um livro de grande porte utiliza papel, tinta, energia, transporte e diversos processos industriais. Por isso, escolhas de formato, papel, tiragem, fornecedores e acabamentos precisam ser conscientes. Utilizar mais recursos não torna automaticamente uma publicação melhor. Craft também significa saber quando retirar. Muitas vezes, uma solução simples executada com precisão possui mais força do que uma sucessão de efeitos.

Na SB\Design, dirigida por Sandro Bianco, entendemos editorial como uma disciplina em que conteúdo, design e produção precisam funcionar como uma única coisa. Temos capacidade para desenvolver desde uma publicação curta até sistemas editoriais extremamente complexos, com centenas ou até 1.000 páginas, sempre construindo uma metodologia capaz de controlar conteúdo, imagem, tipografia, cor, materiais e produção sem perder aquilo que dá personalidade ao projeto. Criar um livro ou uma revista significa transformar uma enorme quantidade de informação em uma experiência compreensível. Significa criar ordem sem eliminar emoção, construir regras sem eliminar surpresa, escolher o que mostrar e também aquilo que deve ficar de fora, controlar milhares de detalhes e, ao mesmo tempo, manter a visão do conjunto.

É assim que a SB\Design cria livros e revistas: entendendo profundamente o conteúdo antes de desenhar, construindo uma arquitetura editorial sólida, editando e organizando informação, desenvolvendo sistemas tipográficos e visuais capazes de atravessar centenas de páginas, tratando cada imagem com cuidado, escolhendo papel, materiais, impressão e encadernação como partes do conceito e acompanhando o processo até que aquilo que existia na tela se transforme corretamente em objeto. Porque, para nós, o trabalho editorial não termina no layout. Ele termina quando o livro está impresso, encadernado, aberto sobre uma mesa e tudo aquilo que parecia extremamente complexo durante meses finalmente parece simples. Esse é o craft que continua existindo dentro da SB\Design.