Em 2014, o antigo Hospital Umberto Primo, conhecido como Hospital Matarazzo, abriu suas portas depois de aproximadamente duas décadas fechado para receber Made by… Feito por Brasileiros, uma grande ocupação de arte contemporânea concebida por Alexandre Allard como uma "invasão criativa". Durante cinco semanas, mais de 100 artistas brasileiros e internacionais ocuparam aproximadamente 27 mil m² de pavilhões, quartos, corredores e jardins do complexo histórico, localizado a poucos metros da Avenida Paulista.
A exposição antecedeu e apresentou publicamente o espírito do projeto que posteriormente se tornaria a Cidade Matarazzo, transformando temporariamente um conjunto arquitetônico fechado havia anos em território de experimentação artística. O projeto reuniu uma combinação extraordinária de artistas brasileiros e internacionais, entre eles Tunga, Vik Muniz, Beatriz e Márcia Milhazes, Lygia Clark, Nuno Ramos, Artur Lescher, Arne Quinze, Barry McGee, Joana Vasconcelos, Jean-Michel Othoniel, Paulo Nazareth, Sonia Gomes, Cinthia Marcelle, Laura Vinci, José Miguel Wisnik, Henrique Oliveira, Cao Guimarães, Douglas White e Xavier Veilhan, entre muitos outros.
A concepção do projeto foi de Alexandre Allard, com direção artística e curadoria de Marc Pottier, curadoria adjunta de Maguy Etlin e participação de curadores convidados internacionais. Para Sandro Bianco e a SB\Design, participar desse momento significava trabalhar na interseção entre arte contemporânea, arquitetura, cultura, tecnologia e experiência digital, construindo uma plataforma capaz de traduzir para o ambiente online a dimensão física e conceitual daquela ocupação.
A SB\Design, dirigida por Sandro Bianco, foi responsável pelo design e desenvolvimento conceitual do website de Made by… Feito por Brasileiros, trabalhando em contato direto com Alexandre Allard e com o universo criativo construído em torno da exposição. Mais do que comunicar datas e informações institucionais, o desafio era organizar digitalmente um sistema extraordinariamente complexo: mais de uma centena de artistas, obras, espaços físicos, vídeos, notícias, conteúdo editorial, programação educacional e a própria arquitetura do Hospital Matarazzo.
Essa dimensão digital era particularmente importante porque fazia parte da proposta curatorial. Marc Pottier explicou na época que não haveria etiquetas tradicionais identificando as obras dentro da exposição: as informações seriam disponibilizadas pelo website e pelo aplicativo, permitindo que o público descobrisse simultaneamente artistas, obras e arquitetura. Isso transformava o website em algo maior do que uma peça de comunicação. Ele funcionava como uma camada digital de interpretação da experiência física.
Sandro Bianco e a SB\Design organizaram esse grande volume de informação através de uma arquitetura digital que permitia diferentes portas de entrada para a exposição. O visitante podia descobrir artistas, localizar intervenções dentro dos diferentes blocos do complexo, acessar textos e propostas das obras, acompanhar notícias, assistir a vídeos e compreender a dimensão espacial da ocupação.
As telas preservadas do projeto mostram essa lógica com clareza: uma interface predominantemente preta, tipografia branca, fotografia em preto e branco e uma cor dourada utilizada como elemento de orientação e destaque. A linguagem deliberadamente contida fazia com que a interface desaparecesse quando necessário, deixando artistas, obras, imagens e vídeos assumirem o protagonismo.
Um dos elementos mais interessantes do projeto era a relação entre interface e espaço físico. O website incorporava mapas do Hospital Matarazzo e códigos de localização das obras, criando uma correspondência direta entre arquitetura, artista e conteúdo digital. Em vez de simplesmente reproduzir um catálogo online, a SB\Design construiu uma arquitetura de informação que ajudava o visitante a compreender uma exposição distribuída por dezenas de ambientes.
É exatamente nessa escala que o trabalho de Sandro Bianco e da SB\Design se posiciona: não como a criação isolada de uma interface, mas como a tradução de um sistema complexo em um sistema de design coerente. Em Made by… Feito por Brasileiros, esse sistema precisava conectar Alexandre Allard, Cidade Matarazzo, Marc Pottier, mais de 100 artistas, arquitetura histórica, programação cultural, conteúdo editorial, mapas, vídeos e experiência presencial dentro de uma única plataforma digital. O resultado foi um website concebido como extensão da própria exposição.
A dimensão alcançada por Made by… Feito por Brasileiros ajuda a compreender a importância desse trabalho. A exposição aconteceu de 9 de setembro a 12 de outubro de 2014, com entrada gratuita, e reuniu mais de 100 artistas no antigo Hospital Matarazzo. Posteriormente, o projeto recebeu reconhecimento da APCA — Associação Paulista de Críticos de Arte — como melhor iniciativa cultural de 2014.
Parte significativa da memória da exposição permanece preservada digitalmente. A própria Cidade Matarazzo mantém no Google Arts & Culture uma coleção com 111 itens, histórias e um tour virtual da ocupação realizada em 2014.
Para Sandro Bianco, o projeto também marcou o início de uma relação profissional com o universo construído por Alexandre Allard e Cidade Matarazzo, conectando design digital, arte, arquitetura e cultura em uma escala pouco comum. Para a SB\Design, Made by… Feito por Brasileiros tornou-se um exemplo particularmente claro de uma prática que continuaria aparecendo em diferentes projetos: utilizar design para transformar grandes volumes de conteúdo, pessoas, espaços e relações em experiências compreensíveis, navegáveis e culturalmente relevantes.